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Quem decide a rota de um avião? Entenda mudança de trajeto que gerou questionamento de piloto em voo para MG

Piloto questiona rota e ouve provocação durante voo com destino a MG Um piloto que seguia para Varginha (MG), questionou durante o voo uma mudança de rota de...

Quem decide a rota de um avião? Entenda mudança de trajeto que gerou questionamento de piloto em voo para MG
Quem decide a rota de um avião? Entenda mudança de trajeto que gerou questionamento de piloto em voo para MG (Foto: Reprodução)

Piloto questiona rota e ouve provocação durante voo com destino a MG Um piloto que seguia para Varginha (MG), questionou durante o voo uma mudança de rota determinada pelo controle de tráfego aéreo. Na comunicação por rádio, uma voz desconhecida fez uma provocação ao piloto: “Amigão, você não manda nem em casa, quer mandar aqui?”. O episódio levantou dúvidas sobre quem, afinal, decide por onde um avião deve passar e em quais situações o trajeto pode ser alterado. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Embora o piloto seja responsável por indicar no plano de voo o destino e a rota que pretende fazer, o trajeto precisa ser autorizado pelo controle de tráfego aéreo e pode ser modificado durante a operação, de acordo com as condições do espaço aéreo. É o que explicam o professor Alexandre Faro, coordenador do curso de Aviação Civil da Universidade Anhembi Morumbi, e Lucas Borba Inácio, controlador de tráfego aéreo e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo (SNTPV). No caso do voo para Varginha, o piloto Pedro Costa, que tem 14 anos de experiência, afirmou que a alteração inicialmente determinada aumentaria significativamente a distância percorrida e poderia afetar o planejamento de combustível e a autonomia da aeronave. Ele foi orientado a registrar um Relatório de Prevenção (RELPREV) junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Caso aconteceu durante um voo de um Cessna 525 CitationJet M2, de matrícula PS-KCI, que tinha Varginha (MG) como destino Maurício Costa Spotter A partir desse episódio, o g1 preparou uma reportagem para explicar como funciona a definição das rotas, qual é o papel do piloto e do controlador e por que uma aeronave pode ser orientada a seguir por um caminho diferente do planejado. Quem decide por onde o avião vai passar? O que acontece depois que o avião decola? Como funciona a comunicação entre piloto e controlador? O piloto precisa cumprir uma orientação do controle? O controlador pode errar? Combustível pode limitar uma mudança de rota? Aplicativos de tráfego aéreo são confiáveis? Leia também: 'Você não manda nem em casa': piloto questiona rota e ouve provocação durante voo com destino a MG Quem decide por onde o avião vai passar? Antes da decolagem, o piloto apresenta a intenção de voo. O planejamento inclui o local de saída, o destino e a rota que pretende realizar. A forma como isso é feito depende do tipo de voo. Em operações visuais, podem existir corredores visuais que precisam ser utilizados. Nos voos por instrumentos, o piloto declara a rota que pretende seguir e pode indicar, por exemplo, a aerovia que deseja utilizar. “Quem pede para onde vai o destino é o piloto. Agora, a forma como vai ser feito esse trajeto vai depender da disponibilidade do espaço aéreo”, explica Alexandre Faro. Isso não significa, porém, que o piloto possa escolher sozinho todo o trajeto. Segundo Lucas Borba, a autorização da rota envolve diferentes etapas. O Centro de Controle de Área (ACC) é responsável pela autorização da rota propriamente dita, enquanto a saída da aeronave após a decolagem é definida pelo órgão responsável por aquele espaço aéreo. "Essa saída, ou subida, depende da direção do vento naquela hora, depende de algumas restrições operacionais do órgão no dia", detalha Lucas. Piloto deve apresentar intenção de voo antes da decolagem Reprodução / Flight Radar 24 O que acontece depois que o avião decola? A rota autorizada antes da decolagem não é necessariamente definitiva. Segundo Lucas, alterações podem ser feitas durante o voo de acordo com a necessidade do tráfego aéreo. O controle pode precisar mudar o caminho de uma aeronave para organizar o fluxo, manter a separação entre aviões ou contornar uma área que esteja temporariamente restrita. Essas mudanças podem ocorrer por diferentes motivos, como tráfego, condições meteorológicas ou restrições de determinadas áreas. Áreas de sobrevoo proibido ou restrito, por exemplo, podem ser ativadas ou desativadas. Essas informações são divulgadas aos pilotos por meio dos NOTAMs (Notice to Air Missions ou Notice to Airmen), avisos que comunicam condições ou alterações que podem afetar as operações. Lucas acrescenta que a atuação do controlador também depende da coordenação com os demais setores. Uma aeronave não fica sob responsabilidade de um único órgão durante todo o trajeto. Conforme avança, ela é transferida para outros setores de controle. Por isso, se um controlador quiser alterar a trajetória previamente combinada, precisa coordenar a mudança com o órgão que receberá a aeronave na sequência. “Os limites da atuação do controlador são o próximo órgão que vai aceitar ou não aceitar, e a segurança”, explica Lucas. Alterações podem ser feitas durante o voo conforme a necessidade do tráfego a Business Wire via AP Como funciona a comunicação entre piloto e controlador? A comunicação aeronáutica segue um código próprio para reduzir o risco de dúvidas ou interpretações diferentes. Segundo Lucas, existe um manual de fraseologia que estabelece uma espécie de comunicação padronizada entre pilotos e controladores. A comunicação por rádio também tem uma característica importante: enquanto uma estação transmite, as demais conseguem ouvir, mas duas transmissões simultâneas podem provocar o chamado bloqueio da frequência. Nesse caso, as mensagens podem não ser compreendidas. Por isso, segundo Lucas, qualquer comunicação desnecessária pode ocupar uma frequência que precisa estar disponível para uma situação operacional. O piloto precisa cumprir uma orientação do controle? A relação entre piloto e controlador não é de hierarquia. Segundo o professor Alexandre Faro, o comandante é responsável pela aeronave e precisa avaliar se tem condições de cumprir uma determinada orientação. “Não existe uma relação hierárquica. É uma relação de parceria”, afirma Faro. Lucas explica que o controle, por sua vez, também tem limites. O controlador precisa trabalhar dentro das condições de segurança e daquilo que pode ser coordenado com os demais órgãos envolvidos. Assim, cada profissional tem uma responsabilidade diferente. O controlador organiza o tráfego e fornece instruções para o gerenciamento do espaço aéreo. O comandante avalia as condições da própria aeronave e deve informar ao controle caso não consiga cumprir uma orientação. Relação entre piloto e controlador é de parceria, segundo especialista Arquivo pessoal/Pedro Costa O controlador pode errar? Erros podem acontecer, mas não é possível concluir que uma alteração de rota tenha sido um erro apenas observando a trajetória de uma aeronave. Para saber o que motivou uma orientação, é necessário analisar o contexto do tráfego naquele momento. Segundo Faro, uma investigação pode verificar quais aeronaves estavam na região, quais eram as condições do espaço aéreo e por que determinada orientação foi dada. “Tem que ter uma investigação num caso desse tipo para saber exatamente o que motivou”, afirma. Lucas, por sua vez, destaca que o trabalho do controlador é feito considerando não apenas a aeronave que está sendo orientada, mas todo o conjunto de tráfego sob sua responsabilidade e os setores que participarão da operação na sequência. Combustível pode limitar uma mudança de rota? Uma alteração que aumente a distância ou o tempo de voo pode ter impacto no planejamento de combustível. Segundo Lucas Borba, quando o piloto informa que determinada mudança afetará a autonomia, essa informação precisa ser considerada pelo controle. O planejamento de combustível, porém, já prevê uma margem para situações que podem ocorrer durante o voo. Lucas explica que a aeronave não precisa ter combustível apenas para chegar ao destino. O planejamento considera também a possibilidade de o avião não conseguir pousar no aeroporto previsto e precisar seguir para um aeroporto de alternativa. Além disso, há uma reserva para que a aeronave possa permanecer em espera. Segundo o controlador, o planejamento prevê 30 minutos de autonomia para essa finalidade. O cálculo também leva em conta fatores como o peso da aeronave e as condições de vento. Um vento contrário, por exemplo, pode aumentar o consumo. Por isso, uma mudança de rota que aumente significativamente a distância pode fazer com que o comandante comunique ao controle que não tem condições de seguir daquela maneira. Aplicativos de tráfego aéreo são confiáveis? Aplicativos públicos de rastreamento permitem acompanhar aeronaves, mas não são os sistemas utilizados pelos controladores para gerenciar o espaço aéreo. Segundo Alexandre Faro, essas plataformas não têm o mesmo nível de precisão e de informação dos sistemas utilizados no controle de tráfego aéreo. Por isso, o fato de uma aeronave não aparecer em um aplicativo não significa necessariamente que ela não estivesse naquela região. “Seria muito prematuro concluir que não havia outro tráfego apenas com base no aplicativo”, afirma Faro. Infográfico - Piloto questiona rota e ouve provocação durante voo com destino a MG Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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