Jogadora processa Free Fire e Google após ter conta banida por 'doping virtual', mas tem indenização negada em MG
Free Fire é um jogo de celular em que jogadores disputam quem será o último sobrevivente em uma ilha virtual. TV Globo/Reprodução Uma jogadora do Free Fire...
Free Fire é um jogo de celular em que jogadores disputam quem será o último sobrevivente em uma ilha virtual. TV Globo/Reprodução Uma jogadora do Free Fire teve o pedido de indenização negado pela Justiça após processar a desenvolvedora do jogo, Garena, e a Google, alegando ser vítima de um banimento injusto. A decisão da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) foi divulgada na quarta-feira (28), e manteve a sentença da Comarca de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Cabe recurso da decisão. Segundo o TJMG, o banimento permanente da conta foi legítimo, já que ficou comprovado o uso de softwares não autorizados, prática conhecida como “doping virtual”, que dá vantagens indevidas dentro do jogo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Relatórios do sistema antifraude da Garena demonstraram que a conta foi alvo de denúncias de 50 jogadores diferentes durante o período de monitoramento. A Justiça destacou, ainda, o comportamento contraditório da jogadora. Antes da abertura do processo, ela enviou e-mails à empresa alegando que sua conta havia sido invadida e que os invasores usaram hacks. Contudo, no decorrer da ação judicial, negou conhecimento sobre o uso de programas ilegais em sua conta do jogo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O g1 procurou os advogados da jogadora, Pedro Bohrer Amaral e Oscar Berwanger Bohrer, porém não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem tenta contato com o advogado da empresa Garena, Marcelo Matto Ferreira, e da Google, Flávio Rivelli. O que a jogadora pedia A usuária entrou com a ação em 2021 após ter a conta, que possuía a patente “Mestre”, suspensa de forma definitiva. No processo, ela pediu: a reativação da conta; indenização de R$ 6 mil por danos morais; reembolso de R$ 35,99 referentes à compra de moedas virtuais (“diamantes”). Ela alegou que a punição foi arbitrária e baseada apenas em mensagens automáticas enviadas pelo suporte da Garena, sem explicações detalhadas sobre a suposta infração. Recurso negado Inconformada, a jogadora recorreu ao TJMG. O relator do caso, desembargador Nicolau Lupianhes Neto, manteve a decisão e ressaltou que a Garena agiu para proteger a integridade do ambiente competitivo do jogo. Dados do sistema antifraude da Garena indicaram que a conta da jogadora recebeu denúncias feitas por 50 usuários distintos ao longo do período analisado. Segundo o desembargador, a empresa não é obrigada a divulgar detalhes técnicos do sistema de detecção de trapaças, pois isso poderia comprometer a segurança da plataforma e o sigilo industrial. LEIA TAMBÉM: iPhones, emagrecedores e perfumes são apreendidos Prefeitura de Uberaba rompe com Banco Master Veja o que agentes públicos municipais não podem fazer em 2026 Itens virtuais não geram reembolso Sobre o pedido de devolução do valor gasto com moedas virtuais, o relator explicou que esses itens são licenças de uso, condicionadas ao cumprimento das regras do jogo. Como houve violação dos termos de uso, não há direito ao reembolso. Google ficou fora do processo O Tribunal também manteve a exclusão do Google Brasil do processo. Para os desembargadores, a empresa atua apenas como plataforma de distribuição de aplicativos, sem interferência nas regras do jogo ou nas punições aplicadas aos usuários. Os desembargadores Cláudia Maia e Luiz Carlos Gomes da Mata acompanharam o entendimento do relator, concordando com a decisão de manter a sentença de primeira instância. Com isso, o recurso apresentado pela jogadora foi rejeitado e o banimento da conta, assim como a negativa de indenização, foi mantido. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas 🔎 NeseO termo "hacks virtuais" pode se referir tanto a técnicas maliciosas (hacking)