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Fome, moradia precária e diferença de renda: os desafios da desigualdade em Minas Gerais

Extremos marcam economia do estado Assim como o Brasil, Minas Gerais reúne realidades muito diferentes. O estado tem indicadores de desenvolvimento próximos Ã...

Fome, moradia precária e diferença de renda: os desafios da desigualdade em Minas Gerais
Fome, moradia precária e diferença de renda: os desafios da desigualdade em Minas Gerais (Foto: Reprodução)

Extremos marcam economia do estado Assim como o Brasil, Minas Gerais reúne realidades muito diferentes. O estado tem indicadores de desenvolvimento próximos à média nacional, mas há grandes diferenças de renda entre os municípios do estado. Em 2024, 4,4 milhões de mineiros viviam com algum grau de insegurança alimentar, e o déficit habitacional ultrapassava meio milhão de moradias. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que considera renda, educação e expectativa de vida, foi de 0,809 em Minas, enquanto a média brasileira foi de 0,805. Já os dados de renda mostram a distância entre municípios mineiros: em Nova Lima, o rendimento domiciliar por pessoa era mais de sete vezes o registrado em Monte Formoso. Reduzir essas diferenças e ampliar o acesso à alimentação e à moradia estão entre os desafios de quem assumir o governo de Minas Gerais em 2027. Imagem aérea de Belo Horizonte Reprodução/TV Globo Acesso à alimentação Segundo dados do IBGE referentes a 2024, 454 mil mineiros viviam em situação de insegurança alimentar grave, condição em que a fome faz parte da rotina. O número de pessoas com algum grau de insegurança alimentar caiu cerca de 10% em relação a 2023, mas ainda chegava a 4,4 milhões. Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Eliana Barbosa de Souza vive com o marido e os três filhos em um cômodo de 12 metros quadrados. A família se mudou para o espaço há cinco meses, depois que um incêndio destruiu a casa de madeira onde morava, na ocupação Guarani Kaiowá. Eliana conta que o vento entra pelas frestas das paredes e que os filhos enfrentam problemas de saúde nos períodos de frio. Ela já pensou em reformar a casa, mas diz que o dinheiro não é suficiente para comprar material de construção e garantir a alimentação da família. “Quando você pensa em comprar o material, ou você compra, ou você come. Se você compra, você não põe na mesa. Como é que você deixa seus filhos passar a necessidade?” Eliana Barbosa de Souza vive com o marido e os três filhos em um cômodo de 12 metros quadrados Reprodução/TV Globo Na mesma ocupação, Sandra Maria Miranda mora há 19 anos em uma casa de madeira. Ela relata problemas na estrutura do imóvel e diz que a renda dela e do marido não é suficiente para abastecer a casa. Segundo Sandra, a família recebe uma cesta básica e, quando possível, busca alimentos distribuídos por uma igreja. Diferenças de renda Dados do Censo de 2022 mostram que o rendimento domiciliar mensal por pessoa em Nova Lima, na Grande BH, era de R$ 4.299,91, o maior do país. Em Monte Formoso, no Vale do Jequitinhonha, o valor era de R$ 590,22, o menor de Minas. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a média era de R$ 2.112,11. O rendimento domiciliar per capita é calculado pela divisão da renda dos moradores de uma casa pelo número de pessoas que vivem nela. Para a professora do Departamento de Demografia da UFMG Danielle Fernandes, a melhora dos indicadores gerais não significa que todas as regiões tenham avançado na mesma proporção. “Enquanto não tiver um esforço grande para a diminuição da desigualdade, a gente vai continuar crescendo, elevando a média”, afirma. As diferenças também aparecem dentro da Grande BH. Segundo os dados citados pelo geógrafo Rodrigo Carvalho, do Instituto de Geociências da UFMG, 12% da população da região metropolitana vivia em situação de pobreza e 2%, em extrema pobreza, apesar de a região estar entre as de maior rendimento do país. Em Belo Horizonte, mais de 13% da população — cerca de 300 mil pessoas — morava em favelas, conforme os dados do Censo de 2022 apresentados pelo pesquisador. Para ele, essas áreas precisam de maior atenção das políticas públicas, especialmente no acesso a saneamento e outros serviços essenciais. Déficit habitacional Em 2024, o déficit habitacional de Minas Gerais era de 506.419 moradias, o equivalente a 6,3% do total de domicílios. No Brasil, a proporção era de 7,4%. O cálculo reúne habitações precárias, situações em que famílias precisam dividir uma mesma moradia e casos em que o aluguel compromete uma parcela elevada da renda. Em Minas, o peso excessivo do aluguel respondia pela maior parte do déficit, com 386.025 registros. Para famílias como a de Eliana, as dificuldades para melhorar a moradia se somam às despesas com alimentação. A desigualdade social e os desafios que ela representa para o próximo governo do estado são tema de mais uma reportagem da série Minas Brasil, exibida pelo MG2.

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