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Família carrega cruz em procissão para manter tradição de fé iniciada há 114 anos em MG

Placa de agradecimento da família Arcênio Corrêa/TV Integração Enquanto milhares de peregrinos chegam a Romaria, no Alto Paranaíba, movidos pela fé, pelo...

Família carrega cruz em procissão para manter tradição de fé iniciada há 114 anos em MG
Família carrega cruz em procissão para manter tradição de fé iniciada há 114 anos em MG (Foto: Reprodução)

Placa de agradecimento da família Arcênio Corrêa/TV Integração Enquanto milhares de peregrinos chegam a Romaria, no Alto Paranaíba, movidos pela fé, pelo desejo de agradecer ou pagar promessas a Nossa Senhora da Abadia, uma família mantém uma tradição que atravessa gerações. Há 114 anos, a família Cruz participa da romaria carregando uma cruz que se tornou símbolo do legado iniciado pelo bisavô João da Cruz. O costume começou no início do século passado, quando João da Cruz, fazendeiro e um dos primeiros benfeitores da construção da igreja de Romaria, passou a participar das celebrações levando a cruz à frente da procissão. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Desde então, a cruz passou de mão em mão dentro da família. Seis gerações depois, o legado permanece vivo. “É um legado de fé que meu bisavô João da Cruz deixou para nós e, com essa cruz, nós abrimos o caminho para a Santa”, contou a família. A tradição se tornou tão particular que, segundo Maria Luiza da Cruz, nenhuma outra família carregou a cruz desde que o avô dela começou a transportá-la. “Quando começaram todas as festas, começaram as procissões. E quando ele começou, carregava a cruz. E daí em diante, nenhuma família carregou a cruz, só a nossa. São 114 anos que a gente puxa a procissão”, disse Maria Luiza. Agora no g1 Família inteira no caminho da fé Muito antes de a peregrinação na região reunir multidões, a família já fazia o caminho entre Araguari e Romaria. Segundo Maria Luiza, cerca de 50 familiares viajavam juntos e permaneciam alguns dias na cidade. A família era grande e, naquela época, a estrutura era bem diferente da atual. Não havia água encanada nem energia elétrica no local onde os parentes ficavam hospedados. Ainda assim, a viagem também era um momento de encontro. “Naquele tempo, nem tinha água encanada, não tinha luz, não tinha nada. Mas a família fazia até baile. Eu era pequena, mas eu lembro daquele salão imenso, tinha a família toda ao redor e muita fé”, contou Maria Luiza. A devoção a Nossa Senhora da Abadia era o que levava todos até Romaria. João da Cruz, além de devoto, ajudou na construção da igreja, que se tornou um dos principais símbolos religiosos da cidade. “Ele era um benfeitor, um filantropo, então quis ajudar. E começou assim, na construção da igreja”, explicou Maria Luiza. A fé também faz parte da história de Maria Luiza. Há cerca de 20 anos, ela percorreu a pé o caminho até Romaria. “É maravilhoso esse legado que a gente tem. Só de reunir a família eu já acho maravilhoso”, disse. Cruz sendo levada por Joaquim Candido, membro da família Arcênio Corrêa/TV Integração Primeira mulher a carregar a cruz A história da cruz também acompanha mudanças dentro da própria família. Maria Luiza foi a primeira mulher a carregar a cruz à frente da procissão. Segundo ela, na época, foi necessária uma autorização, porque mulheres não tinham esse papel na tradição. “Eu fui a primeira mulher que puxou a procissão, mas tive que ter autorização porque mulher não carregava a cruz. Agora nós já temos a sobrinha que fez isso. Esse ano vai ser minha filha”, contou. Assim, o símbolo que começou com João da Cruz continua sendo passado de geração em geração, inclusive entre as mulheres da família. Leia também: Nossa Senhora da Abadia: saiba tudo sobre a festa em Romaria Veja o que abre e o que fecha no feriado em Uberlândia e Uberaba Veja a programação das missas em Uberlândia, Uberaba e Romaria Um chamado para continuar carregando a cruz A responsabilidade de manter a tradição também chegou a Márcio da Cruz de uma maneira que ele considera especial. Morador de Uberaba, ele conta que decidiu visitar Romaria fora do período da festa. Estava com a filha e a esposa dentro da Basílica quando foi abordado por uma mulher, que pediu ajuda para carregar uma imagem. O episódio foi interpretado pela família como um chamado para que ele assumisse a responsabilidade pela cruz. “Entendemos aquilo como um chamado da Santa de que em algum dos braços da família Cruz talvez precisasse haver uma transição das mãos da responsabilidade de carregar a cruz”, contou. Depois do episódio, uma integrante mais velha da família, Sônia Maria, soube da história e disse que ele deveria assumir a missão naquele ano. “Então eu carreguei. Tive a felicidade de carregar a cruz nesse ano”, relembrou Márcio. Ao fim da procissão, ele recebeu a responsabilidade de cuidar da cruz naquele ramo da família. “Assumir essa responsabilidade com muito orgulho, com muita honra, respeitando a tradição, essa ancestralidade, e cada vez mais a família se reúne aqui”, afirmou. Para Márcio, manter a tradição não representa apenas uma responsabilidade familiar, mas também uma forma de preservar a história de seu antepassado. “Meu bisavô, João da Cruz, que era um visionário, foi uma pessoa iletrada, mas, no entanto, um empreendedor, foi um produtor rural, foi um líder político, foi alguém que contribuiu para que hoje a gente tenha essa festa aqui”, disse. Por isso, segundo ele, a cruz tem um significado que vai além da própria família. “Temos que honrar isso, porque são inúmeras as pessoas, milhares de pessoas que vêm para essa festa em respeito a essa tradição. Então é uma responsabilidade grande e, ao mesmo tempo, motivo de orgulho e muita honra de todos nós da família Cruz", ressaltou Márcio. Parte da história da família Cruz Arcênio Corrêa/TV Integração VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas O iNossa Senhora da Abadia, é celebrada no dia 15 de agosto na cidade de

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