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Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas é tombado como patrimônio cultural

Parque José Affonso Junqueira, Poços de Caldas (MG) Marcos Corrêa O Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas foi tombado como patrimônio cultura...

Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas é tombado como patrimônio cultural
Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas é tombado como patrimônio cultural (Foto: Reprodução)

Parque José Affonso Junqueira, Poços de Caldas (MG) Marcos Corrêa O Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas foi tombado como patrimônio cultural. O Governo de Minas aprovou, na sexta-feira (10), o tombamento durante a primeira reunião ordinária de 2026 do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O complexo de praças e prédios, como o Palace Hotel, Palace Cassino e Thermas Presidente Antônio Carlos, já havia sido tombado como Patrimônio Histórico em 1989 pela Constituição do Estado de Minas Gerais. A deliberação ocorreu durante a programação do Governo Presente em Poços de Caldas, cidade que sedia simbolicamente a capital mineira nesta semana. De acordo com o governo do estado, o reconhecimento reforça a importância histórica, urbana, paisagística e turística do município, cuja formação está diretamente ligada às águas termais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O tombamento tem como base dossiê técnico elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que destaca a relevância do termalismo para a origem e o desenvolvimento urbano de Poços de Caldas. A história da cidade está associada às águas termais desde o século XVIII. Com a abertura dos primeiros poços, em 1826, o município consolidou-se como estância de saúde, lazer e turismo, dando origem a um modelo urbano planejado, marcado pela integração entre edificações monumentais, praças, parques, fontes e equipamentos públicos. Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, o reconhecimento evidencia a característica singular de Poços de Caldas. “A cidade que se estruturou e se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística nasceram de forma integrada. O tombamento reconhece essa identidade construída em torno das águas termais e dos equipamentos que deram origem à vida urbana local. Ao proteger esse conjunto, preservamos não apenas edificações, mas uma forma de organização do território que faz de Poços de Caldas uma referência histórica de turismo, saúde e cultura em Minas Gerais”, afirma. Bens protegidos Thermas Antônio Carlos em Poços de Caldas Lara Cristina/G1 O conjunto tombado reúne bens representativos de diferentes períodos históricos, com destaque para a fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Entre os principais marcos estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção também abrange praças, parques, monumentos, fontes, coretos, elementos artísticos integrados, trechos de ribeirões urbanos e áreas de entorno, com diretrizes voltadas à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural. Segundo o presidente do Iepha-MG, Paulo Roberto do Nascimento Meireles, a medida fortalece o patrimônio como vetor de desenvolvimento sustentável. Praça foi alvo de polêmica por quebra de cocho por prefeito Iepha-MG diz que prefeito de Poços de Caldas não cometeu irregularidade ao quebrar cocho O Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas já era tombado pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais desde 1989, quando entrou em vigor a última constituição mineira. Em março, a destruição parcial de um cocho de uma das praças do complexo pelo prefeito Paulo Ney (PSD) foi alvo de polêmica. A quebra do artefato, feita com uma marreta (veja vídeo acima), aconteceu durante um ato para marcar a proibição do uso de charretes de tração animal, serviço que foi utilizado por décadas como um dos atrativos turísticos da cidade. VEJA TAMBÉM: VÍDEO: Prefeito usa marreta para demolir cocho em praça tombada após charretes serem proibidas em MG; Câmara questiona Iepha-MG aponta que prefeito de Poços de Caldas não cometeu irregularidade ao quebrar cocho construído em praça tombada A estrutura foi reconstruída dias depois e transformada em uma floreira. A ação motivou um requerimento da Câmara Municipal cobrando explicações e questionando a legalidade da intervenção em um local tombado pelo patrimônio histórico. Após uma avaliação, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) concluiu que o prefeito não cometeu irregularidade e que o cocho, embora estivesse inserido no perímetro do Complexo Hidrotermal e Hoteleiro foi inserido, junto com outros elementos, na praça após o tombamento sem autorização do órgão. “Sob o ponto de vista da análise, o ato de demolição não configuraria qualquer infração, já que o elemento não está inserido nos itens inventariados abrangidos pelo tombamento e que, em verdade, a sua inserção, como elemento exótico, depois do tombamento e sem o rito administrativo é que foi ato irregular”, diz o Iepha em ofício. O Iepha ressaltou, porém, que qualquer intervenção deve observar os princípios da preservação e a necessidade de anuência prévia da entidade, o que não foi o caso do cocho. “Verifica-se que os bebedouros, assim como outras intervenções implantadas após o tombamento (1989), não possuem registro de aprovação prévia junto ao Iepha-MG, configurando, portanto, intervenção irregular no conjunto protegido”, diz a entidade. Charretes também são elementos históricos, diz Iepha Prefeitura de Poços de Caldas envia projeto para acabar com as charretes na cidade Prefeitura de Poços de Caldas/Divulgação O Iepha destacou que o uso associado das charretes de tração animal em Poços de Caldas consolidou-se como prática cultural e turística relevante para a memória social do município e está incorporado na identidade local, por isso, merece ter a memória preservada. De acordo com o Iepha, a Prefeitura de Poços de Caldas deverá tomar medidas para regularizar a situação, entre elas: fazer a regulamentação patrimonial com a atualização do inventário da Praça Getúlio Vargas, contemplando todas as intervenções realizadas após o tombamento; salvaguardar a memória cultural com o registro e a valorização da prática das charretes de tração animal como patrimônio cultural de natureza imaterial. Para isso, deverá fazer painéis informativos, sinalização interpretativa e conteúdos educativos junto aos novos equipamentos turísticos. O Iepha também sugeriu que a prefeitura avaliasse a possibilidade de manutenção dos bebedouros, desde que adequadamente requalificados, como, por exemplo, sendo transformados em floreiras ou marcos memoriais, compatibilizados com o conjunto tombado. A intervenção deve ser usada como medida corretiva no âmbito da proteção do patrimônio material e como oportunidade de valorização da memória cultural associada às práticas históricas do turismo local. “Deve haver a compatibilização entre preservação e transformação: reconhecer a substituição da tração animal por motorizada como avanço nas dinâmicas urbanas contemporâneas, garantindo, contudo, a preservação da memória associada”, afirmou o Iepha. O que diz a prefeitura A Prefeitura de Poços de Caldas informou que vai avaliar as sugestões feitas pelo Iepha e reforçou que nunca houve reconhecimento da estrutura como bem tombado ou de relevância para preservação, não integrando os instrumentos de proteção do patrimônio cultural. A administração também afirmou que o Iepha reconhece que a demolição não configura infração, mas recomenda medidas de registro, valorização da memória e organização do patrimônio, sem impor a obrigatoriedade de manutenção da estrutura. 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