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Moradoras de Uberaba traficadas para a África com promessas de emprego retornam ao Brasil após resgate

Brasileiras traficadas para a África retornam ao Brasil após resgate As duas brasileiras de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que foram traficadas para países ...

Moradoras de Uberaba traficadas para a África com promessas de emprego retornam ao Brasil após resgate
Moradoras de Uberaba traficadas para a África com promessas de emprego retornam ao Brasil após resgate (Foto: Reprodução)

Brasileiras traficadas para a África retornam ao Brasil após resgate As duas brasileiras de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que foram traficadas para países da África após promessa de emprego retornaram ao Brasil. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (1) à TV Integração pela ONG The Exodus Road Brazil e Clínica de Combate ao Trabalho Escravo (CCTE) da Unipac Uberaba, que acompanham o caso. As mineiras, que são irmãs, faziam parte dos 23 brasileiros que foram retidos em agosto em Madagascar após afirmarem ter escapado de uma rede de exploração ligada a crimes cibernéticos. Elas viajaram para o exterior acreditando que trabalhariam em um salão de beleza na Tailândia. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo a CCTE, as irmãs voltaram para o Brasil há duas semanas e usaram recursos próprios para retornar ao país, com a ajuda de uma arrecadação online. Os detalhes do retorno das mulheres não foram divulgados. Irmãs foram vítimas de uma rede de tráfico de pessoas A Exodus Road Brazil afirma que os brasileiros foram vítimas de uma rede de tráfico de pessoas e exploração para aplicação de golpes virtuais. A organização, entretanto, ressalta que não é possível afirmar que todos os 23 integrantes do grupo sejam vítimas de tráfico, cabendo às autoridades brasileiras investigar individualmente a situação de cada pessoa. A organização afirma que os brasileiros eram obrigados a aplicar golpes contra vítimas no Brasil, como falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado "golpe do amor", no qual criminosos estabelecem relacionamentos fictícios com as vítimas para obter dinheiro. Primeiro, o grupo foi levado do Camboja, no Sudeste Asiático, onde teria permanecido por cerca de cinco meses em situação de exploração. Depois, para a capital de Madagascar, Antananarivo, em 19 de agosto, após uma operação policial contra uma rede de golpes virtuais. Entre os integrantes do grupo estão as duas mulheres de Uberaba que viajaram acreditando que trabalhariam em um salão de beleza. “Uma das minhas irmãs é cabeleireira e recebeu uma proposta para trabalhar em um salão de beleza na Tailândia. A outra recebeu uma proposta para trabalhar como recepcionista. Elas saíram do Brasil com essa promessa de trabalho no exterior”, relatou o irmão das duas uberabenses traficadas na ocasião. Brasileiros traficados estão em Madagascar e não conseguem voltar ao Brasil Brasileiros pediram ajuda ao governo brasileiro para retornaram No início de setembro, parte dos 23 brasileiros afirmaram não ter recursos para pagar as passagens de volta ao Brasil, após fugirem da rede de exploração. A informação foi confirmada pela Exodus Road Brazil na ocasião. Segundo a organização, eles conseguiram confirmar que familiares de 11 pessoas fizeram a declaração de hipossuficiência à Defensoria Pública da União (DPU) na esperança de conseguir ajuda do Itamaraty. Procurado pelo g1 na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que, apesar de a comprovação de hipossuficiência financeira ser um requisito necessário, ela, sozinha, não é suficiente para que o governo custeie o retorno dos brasileiros. O Itamaraty também reforçou que a repatriação de brasileiros é uma medida excepcional e não constitui um direito automático. 🔍 Hipossuficiência é a condição em que uma pessoa não possui recursos financeiros suficientes para pagar taxas de um processo judicial ou contratar um advogado sem prejudicar o próprio sustento ou o de sua família. O Itamaraty também afirmou, na data, que uma missão da Embaixada em Maputo em Moçambique, onde fica o consulado mais próximo, seria enviada a Madagascar para prestar assistência consular presencial ao grupo. Durante as tratativas, o irmão das moradoras de Uberaba também afirmou à reportagem que a família não tinha condições de pagar as passagens de retorno, que custam aproximadamente R$ 5,5 mil até São Paulo, além do deslocamento posterior até Minas Gerais. A ONG afirmou que os familiares das duas mulheres procuraram a Defensoria Pública da União (DPU) e comprovaram a situação de hipossuficiência. Segundo a organização, por haver indícios de que os brasileiros tenham sido vítimas de tráfico internacional de pessoas, o Estado brasileiro deveria garantir proteção e condições para o retorno seguro. A entidade também afirmou que o Brasil é signatário do Protocolo de Palermo, promulgado pelo Decreto nº 5.017/2004, e que o governo possui procedimentos específicos para o atendimento e a eventual repatriação de brasileiros vítimas de tráfico internacional. 🔍 O Protocolo de Palermo prevê medidas de proteção e assistência às vítimas de tráfico de pessoas e estabelece que o país de nacionalidade deve facilitar e aceitar o retorno da vítima, levando em consideração sua segurança. Brasileiros são vítimas de tráfico humano após falsas vagas de emprego Arquivo Pessoal O que disse o Itamaraty na ocasião Segundo o Itamaraty, a legislação brasileira estabelece uma série de critérios e requisitos para que o governo possa custear o retorno de um brasileiro que esteja no exterior. Entre eles está a apresentação da declaração de hipossuficiência emitida pela Defensoria Pública da União. Também é avaliado se o cidadão já foi repatriado anteriormente. O ministério, no entanto, afirmou que esses elementos são "necessários, porém não suficientes" para a realização da repatriação. Também são analisadas alternativas para viabilizar o retorno, como auxílio de familiares, amigos, empregadores ou redes de apoio no Brasil e no exterior. Segundo o Itamaraty, também podem ser considerados programas oficiais de repatriação disponíveis no país onde o brasileiro está. O órgão ainda detalhou que há mais de 5 milhões de brasileiros residentes fora do país. Entre as demandas de natureza consular estão o auxílio a cidadãos em situação de desvalimento, a assistência a brasileiros detidos e o atendimento em situações de catástrofes naturais, conflitos e crises políticas Brasileiros ficaram em aeroporto até serem acolhidos por organização em Madagascar Reprodução/The Exodus Road Brazil Brasileiros estavam com os passaportes retidos Após a operação policial contra a rede de exploração, os brasileiros foram liberados, mas permaneceram sem os passaportes, segundo relatos obtidos pela Exodus Road Brazil. A ONG orientou que eles não deixassem o aeroporto diante do risco de serem perseguidos pela organização criminosa. Posteriormente, eles foram acolhidos por uma organização local e levados para uma casa, onde permanecem hospedados. Leia mais: Suspeitos de movimentar R$ 1 milhão com 'golpe do leilão' são presos Quadrilha aplica golpes em sites de leilões falsos Mulher perde mais de R$ 34 mil em golpe do falso advogado em MG Missionários e outras entidades locais forneceram alimentação e itens básicos enquanto o caso era acompanhado e as alternativas para o retorno ao Brasil eram discutidas. Segundo um dos familiares, os passaportes só seriam devolvidos mediante a compra das passagens para o Brasil. Alerta sobre falsas ofertas de emprego O próprio Itamaraty afirma que alerta brasileiros desde 2022 sobre os riscos de aceitar ofertas de trabalho no exterior sem verificar a procedência das propostas. Segundo o ministério, um alerta consular sobre o aliciamento de brasileiros foi publicado naquele ano e atualizado nos anos seguintes. A versão mais recente, de julho de 2026, trata especificamente dos riscos relacionados ao tráfico de pessoas para o Sudeste Asiático. Segundo a Exodus Road Brazil, propostas com salários elevados, passagens aéreas, moradia e promessa de uma vida melhor são utilizadas por redes criminosas para atrair pessoas para outros países. "É uma vulnerabilidade e um sonho. Sonho de ter uma vida melhor, sonho de comprar uma casa, sonho de viajar, sonho de ter um bom salário", afirmou Cintia Meirelles, representante da ONG. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo

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