cover
Tocando Agora:

Médico de Uberlândia que ajudou a salvar jovem atacada por tubarão no Recife passeava na orla com a mãe durante férias na cidade

Jovem é mordida por tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife O médico Mike Vinicius Canto de Andrade, de 29 anos e natural de Uberlândia, no Triângulo Min...

Médico de Uberlândia que ajudou a salvar jovem atacada por tubarão no Recife passeava na orla com a mãe durante férias na cidade
Médico de Uberlândia que ajudou a salvar jovem atacada por tubarão no Recife passeava na orla com a mãe durante férias na cidade (Foto: Reprodução)

Jovem é mordida por tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife O médico Mike Vinicius Canto de Andrade, de 29 anos e natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, ajudou a salvar uma jovem de 19 anos após um ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, no Recife, na tarde de segunda-feira (1º). A vítima, Marcela Vitória de Lima Santos, teve cerca de 85% da perna direita arrancada pelo animal. O que era para ser um passeio pela orla durante as férias se transformou em cerca de 15 minutos de tensão para o médico, que prestou os primeiros socorros à jovem ainda na faixa de areia. O ataque ocorreu um dia após uma criança de 11 anos também ser ferida por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo Mike, o atendimento realizado no local pode ter sido decisivo para que Marcela chegasse com vida ao Hospital da Restauração. “O que difere um médico em situações como essa é a capacidade de se manter tranquilo e tomar as decisões corretas. Acredito que se eu não estivesse ali, ela pudesse ter perdido a vida devido a gravidade do ferimento”, afirmou Mike. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Passeio na orla se tornou resgate inesperado Mike e sua mãe Marilene Reprodução/Redes Sociais Mike caminhava pela orla da Praia de Boa Viagem com a mãe, Marilene Canto, próximo ao cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Padre Bernardino Pessoa, no Recife, quando os dois perceberam a presença de Marcela no mar. Segundo o médico, a jovem chamou a atenção deles enquanto estava na água, pouco antes do ataque. “Lembro do momento exato que minha mãe olhou para água e viu a menina. Como havíamos pesquisado muito sobre a região antes de viajarmos, sabíamos que ali haviam tubarões e estranhamos a presença dela na água. Nesse exato momento, vimos a água ser tomada por uma mancha vermelha e o ataque acontecer”, relembrou o médico. Segundo Mike, ele e a mãe correram imediatamente até o grupo de pessoas que tentava retirar Marcela da água. O médico contou que o clima era de desespero e ficou ainda mais tenso quando as pessoas perceberam que a jovem havia perdido quase toda a perna direita no ataque. Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve perna arrancada por um tubarão na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife Reprodução/WhatsApp Marcela Vitória de Lima Santos mora em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, e estava com familiares quando foi atacada pelo tubarão. O primo da jovem, o vigilante Jonas André de Lima, contou que correu para ajudá-la ao ouvir os gritos de socorro e a retirou da água. Segundo ele, Marcela já estava sem a perna direita quando foi levada para a faixa de areia. "A gente estava se divertindo lá, foi para a praia se divertir, tomar um caldinho, de repente aconteceu. Ela disse que iria tomar um banho, dar um mergulho, e de repente o tubarão atacou ela lá na praia. [...] Foi o momento em que ela foi atacada lá, ficou gritando: 'Jonas, Jonas', chamando meu nome. Aí eu fui lá na beira-mar para socorrer ela também. Puxei ela para a beira da praia, chegou um bocado de gente ajudando", contou. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mike contou que iniciou os primeiros procedimentos de emergência assim que percebeu a gravidade dos ferimentos de Marcela. Segundo o médico, a prioridade era controlar a hemorragia e reduzir o risco de complicações até a chegada do socorro especializado. Inicialmente, ele utilizou o cinto de uma das pessoas que estavam no local para fazer um torniquete. Como a contenção não foi suficiente, Mike pediu que a mãe da jovem retirasse o cordão do short dela, que foi usado para reforçar o procedimento. “Mesmo assim o sangue continuou saindo, e foi nessa hora que eu usei minha mão para garantir que o estancamento desse certo. Mesmo após mais de 24h após o ocorrido, meus dedos continuam doendo devido a força que eu fiz”, afirmou Mike. Segundo Mike, durante os cerca de 15 minutos em que recebeu os primeiros socorros na praia, Marcela alternava momentos de consciência e inconsciência. De acordo com o médico, essa oscilação era esperada diante da gravidade dos ferimentos, da grande perda de sangue e do impacto causado pelo ataque. Após a chegada da ambulância do Corpo de Bombeiros, a jovem foi levada para o Hospital Alfa, no bairro Boa Viagem. Depois do primeiro atendimento, ela foi transferida para o Hospital da Restauração, no bairro Derby, região central do Recife, onde passou por uma cirurgia para conter o sangramento. Segundo o diretor do hospital, o médico Petrus Andrade Lima, o procedimento foi concluído no início da noite de segunda-feira. Ainda conforme Petrus, Marcela chegou à unidade em estado de "choque hemorrágico profundo" e segue sob risco de infecção. "Ela possivelmente ainda vai precisar de mais sangue. Ela estava em choque hemorrágico profundo, tomou sangue, deve tomar mais e, com um segundo momento que todos esses pacientes que têm uma mordedura animal correm, [há] o risco de infecção. Então, ela está, sim, também nesse risco", informou. Petrus de Andrade Lima, diretor do Hospital da Restauração, fala sobre estado de saúde da jovem mordida por tubarão em Boa Viagem LEIA TAMBÉM: Brasileira morre em acidente de carro durante safári na África O que se sabe sobre a morte de homem em shopping VÍDEO: Motociclista em fuga bate em jovem, atinge viaturas e desaparece Médico quer visitar a vítima Mike é formado pela UFU Reprodução/Redes Sociais Após o resgate, Mike retornou ao hotel onde está hospedado com a mãe, em frente à Praia de Boa Viagem. Apesar de ter deixado o local do ataque, ele disse que continuou impactado pelo que havia acabado de presenciar. Com as roupas ainda manchadas de sangue, o médico acompanhava com preocupação as informações sobre o estado de saúde de Marcela Vitória de Lima Santos, mesmo já distante da faixa de areia. “Quando digo que a frieza médica é importante, não significa que ali não tenha sido criado um laço, porque foi. O fato em si não me choca, estou adaptado, mas ainda assim me preocupo com o estado de saúde da Marcela e quero visitá-la, caso seja possível”, contou. Médico generalista no pronto-socorro de Iraí de Minas, Mike afirmou que está acostumado a atender pacientes em estado grave, incluindo vítimas de acidentes de trânsito com amputações e outros ferimentos severos. Mesmo com a experiência na área, ele disse que o ataque de tubarão causou grande comoção entre as pessoas que estavam na praia. Para o médico, o episódio reforça a importância de agir rapidamente em situações de emergência, já que os primeiros minutos podem ser decisivos para salvar uma vida. Mike também destacou que qualquer pessoa pode prestar os primeiros cuidados até a chegada do socorro, desde que mantenha a calma e siga orientações básicas de atendimento. “Não é preciso ter preparação médica para agir em casos como esse. O principal é estancar o sangramento o mais rápido possível e manter a região limpa, porque o paciente enfrenta, ao mesmo tempo, a perda significativa de sangue e a exposição da ferida.” Infográfico: as espécies de tubarão mais comuns no litoral de Pernambuco Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Fale Conosco