Justiça reverte absolvição e condena Samarco e outros três réus por tragédia em Mariana
Bombeiros em buscas por vítimas após rompimento da barragem, em novembro de 2015 Ricardo Moraes/Reuters O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) refo...
Bombeiros em buscas por vítimas após rompimento da barragem, em novembro de 2015 Ricardo Moraes/Reuters O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) reformou parcialmente, nesta quinta-feira (3), a sentença que absolveu todos os réus pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A Corte decidiu pela condenação da Samarco e de três pessoas físicas por crimes relacionados à tragédia. Cabe recurso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O relator, juiz federal Michael Procópio, atendeu em partes os recursos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) e por familiares de vítimas. Os desembargadores Klaus Kuschel e Luciana Pinheiro acompanharam o voto. Daviély Silva e Germano Lopes, que eram gerentes operacionais da Samarco à época do desastre, foram condenados a oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. Wagner Alves, que também era gerente operacional da mineradora, foi sentenciado a sete anos, três meses e 14 dias de reclusão, inicialmente em regime semiaberto. Já a empresa foi condenada à pena de proibição de contratar com o poder público por 10 anos e ao pagamento de multa de R$ 1 milhão a serem revertidos ao Fundo Nacional do Meio Ambiente. Agora no g1 Segundo o procurador regional da República Darlan Airton Dias, do MPF, a Samarco foi responsabilizada pelos crimes de poluição seguida de morte e danos a unidades de conservação. As pessoas físicas foram condenadas também por inundação seguida de morte. O procurador ainda vai analisar se vai recorrer da decisão, que considerou uma "vitória da justiça". "Restabeleceu a verdade, responsabilizando penalmente uma empresa e três pessoas físicas por essa tragédia que foi o rompimento da barragem de Fundão em Mariana", afirmou. Para Ana Paula Auxiliadora Alexandre, que perdeu o marido, Edinaldo Oliveira de Assis, na tragédia, o sentimento é de "alma lavada". "Eu tenho uma sensação de justiça, de alma levada, porque desde o dia que eu soube do falecimento dele, que eu entrei na Justiça, eu falei que eu iria até o fim, que eu queria ver a condenação dos criminosos. [...] Nós iremos até onde for para defender os nossos", falou. O g1 entrou em contato com a Samarco e com a defesa dos outros réus condenados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Entenda Em novembro de 2024, Samarco, Vale, VogBR e BHP Billiton, além de sete pessoas físicas, foram absolvidas das acusações relacionadas à tragédia. Na época, a Justiça Federal concluiu que não havia "provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal" direta e individual de cada réu. Em dezembro de 2024, o MPF recorreu da decisão, pedindo a condenação das quatro empresas e de seis pessoas físicas. O rompimento da barragem da Samarco em Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015. A tragédia deixou 19 pessoas mortas e provocou a destruição de comunidades e a contaminação do Rio Doce. Julgamento sobre a tragédia em Mariana no TRF6 nesta quinta-feira (3) Pedro Mendes/ TRF6 Vídeos mais vistos no g1 Minas: