Foragido de operação contra tráfico e lavagem de dinheiro é preso ao sair de restaurante de luxo
Yago Araujo Silva Santos Divulgação Foragido da Justiça e apontado como segundo chefe de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lav...
Yago Araujo Silva Santos Divulgação Foragido da Justiça e apontado como segundo chefe de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, Yago Araújo Silva Santos, de 27 anos, foi preso na noite de sexta-feira (28), em Campos do Jordão (SP), quando saía de um restaurante de alto padrão acompanhado da namorada. Ela não foi presa. Segundo a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Yago estava foragido desde o início da Operação Luxury, em março de 2026, quando foram cumpridas diversas medidas cautelares contra integrantes da organização criminosa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Após sair de Uberlândia, segundo a investigação, ele utilizou identidades falsas para viver oculto em São Paulo, junto com a namorada, a influenciadora Lara Canut. Para a Ficco, os investigados, Yago e Lara, mantinham um padrão de vida considerado incompatível com a capacidade financeira formalmente declarada. A prisão de Yago foi realizada pela Ficco de Uberlândia, em conjunto com as forças de segurança de São Paulo e do Rio de Janeiro, e apoio da Polícia Militar de São Paulo. No momento da abordagem, o casal estava em um veículo avaliado em R$ 234 mil. Ao g1, Lara Canut disse que nunca usou identidade falsa e não mantinha vida de luxo. "Divorciei em setembro de 2025 e desde então eu trabalho e mantenho minhas contas sozinha e nunca compactuei com nenhuma atividade criminosa até porque não tenho consentimento de nada disso. Tenho meu trabalho e minha vida pessoal." A reportagem tenta localizar a defesa de Yago. Carro usado pelo casal Divulgação Vida de luxo De acordo com as investigações, Yago e Lara mantinham um padrão de vida considerado incompatível com a capacidade financeira formalmente declarada. Antes de fugirem, os dois moravam em um condomínio de alto padrão em Uberlândia e utilizavam veículos de elevado valor. A influenciadora também publicava nas redes sociais registros de viagens, inclusive internacionais, além de roupas, passeios e outros itens que indicavam um estilo de vida luxuoso. Entre as viagens identificadas pelos investigadores está uma passagem recente pela Europa, incluindo um período em Ibiza, na Espanha. A polícia suspeita que o padrão de vida do casal estivesse relacionado ao dinheiro obtido com as atividades criminosas atribuídas à organização. Neste sábado (29), equipes também cumpriram buscas na residência utilizada por Yago em São Paulo. Foram apreendidos relógios, joias, roupas, acessórios e documentos, principalmente bancários. Segundo a Ficco, o material pode indicar a continuidade das atividades criminosas. Itens de luxo apreendidos na casa do casal Divulgação Influenciadora é investigada Lara Canut também foi alvo das investigações da Operação Luxury. Ela chegou a ser detida durante a operação, mas foi liberada posteriormente. A investigação sobre a participação dela continua, entre outros motivos, porque os policiais não conseguiram acessar os celulares do casal após a fuga. Os investigadores apuram se ela teria se beneficiado dos recursos obtidos pelo namorado por meio do tráfico de drogas e se participou da ocultação ou movimentação do dinheiro. lara canut operação luxury uberlândia sp yago namorada influenciadora Reprodução/Redes Sociais Papel de Yago na organização Conforme a Ficco, Yago ocupava uma posição de chefia na organização criminosa e exercia funções estratégicas relacionadas à logística e à movimentação financeira. Ele é apontado como responsável por atuar na coordenação da estrutura usada para transportar grandes quantidades de drogas entre estados, além da circulação, dissimulação e ocultação de valores provenientes do tráfico. Yago foi indiciado pela Ficco pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Posteriormente, foi denunciado pelo Ministério Público pelos mesmos crimes. Considerando as penas máximas previstas para os delitos atribuídos a ele, a soma pode chegar a 53 anos de reclusão. Após a prisão, Yago foi levado para a Delegacia da Polícia Civil de Campos do Jordão e permanece à disposição da Justiça. Operação Luxury; FOTOS LEIA TAMBÉM: Operação 'Resort do Crime' mira tráfico e lavagem de dinheiro PM remove motocicletas e bicicletas motorizadas irregulares Homem chamado para acompanhar operação acaba preso por não pagar pensão Cerca de 6 toneladas de maconha A Operação Luxury teve origem em uma investigação iniciada após a apreensão de aproximadamente 1,1 tonelada de maconha em 1º de abril de 2025, em Frutal, no Triângulo Mineiro. A partir desse caso, os investigadores identificaram outros transportes de drogas e uma estrutura organizada para levar grandes carregamentos de maconha do Mato Grosso do Sul para outras regiões do país. Segundo a Ficco, o grupo utilizava veículos de apoio, conhecidos como "batedores", além de propriedades rurais para descarregar e fazer o transbordo das cargas. Ao longo da investigação, foram identificados pelo menos oito episódios relacionados a apreensões de drogas atribuídas ao grupo, que totalizaram aproximadamente 6 toneladas de maconha. 'Operação Luxury' prende suspeitos em três estados, mas alvos seguem foragidos Relembre operação que teve miss presa A Operação Luxury também levou à investigação de dezenas de pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa. A Miss Uberlândia 2025, Sara Monteiro, havia sido denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suposto envolvimento no esquema. Ao todo, a denúncia apresentada pelo MPMG envolve 38 pessoas. Segundo o órgão, o grupo atuava principalmente em Uberlândia e utilizava empresas, imóveis, veículos e contas bancárias de terceiros para ocultar recursos supostamente obtidos com o tráfico de drogas. A investigação apontou ainda uma divisão de funções dentro da organização e mecanismos para esconder patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos. Entre os elementos reunidos estão interceptações telefônicas, análises bancárias, quebras de sigilo, documentos apreendidos, vínculos patrimoniais, registros de empresas e estudos financeiros. Segundo a investigação, Sara integrava o núcleo financeiro da organização e seria beneficiária dos recursos movimentados pelo grupo. Ela também teria participado de atividades relacionadas à logística, comunicação e movimentação de recursos. Com o oferecimento da denúncia, cabe à Justiça decidir se as acusações serão recebidas. Caso isso aconteça, os denunciados passam à condição de réus e responderão à ação penal. Miss Uberlândia é presa em SP em operação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas