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Elas decidem a eleição: mulheres já são 54% do eleitorado de Uberlândia e ampliam influência nas urnas

Após 94 anos do direito ao voto, mulheres são maioria do eleitorado em Uberlândia Reprodução/ TV Globo Quem quiser vencer uma eleição em Uberlândia prec...

Elas decidem a eleição: mulheres já são 54% do eleitorado de Uberlândia e ampliam influência nas urnas
Elas decidem a eleição: mulheres já são 54% do eleitorado de Uberlândia e ampliam influência nas urnas (Foto: Reprodução)

Após 94 anos do direito ao voto, mulheres são maioria do eleitorado em Uberlândia Reprodução/ TV Globo Quem quiser vencer uma eleição em Uberlândia precisa conquistar as mulheres. Em 2026, elas somam 290.606 eleitoras e representam 54% dos 538.195 eleitores aptos a votar no município, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual reforça uma tendência que já dura décadas: as mulheres são maioria nas urnas e têm peso decisivo na definição dos resultados eleitorais. Em Uberlândia existe uma vantagem feminina de mais de 43 mil votos. Essa diferença, sozinha, é maior do que a votação de muitos candidatos eleitos para cargos legislativos e ajuda a materializar para o leitor o tamanho do poder de decisão das mulheres nas urnas. Em 2022, por exemplo, o deputado estadual eleito com a menor votação conseguiu 28.270 votos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Em um cenário de disputas cada vez mais equilibradas, especialistas apontam que compreender e responder às demandas do eleitorado feminino deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição fundamental para quem pretende vencer as eleições. Nesta semana, a dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, o g1 publica uma série de reportagens sobre o perfil do eleitorado da segunda principal cidade de Minas Gerais com análises de especialistas sobre as mudanças no perfil dos eleitores, como: o crescimento do eleitorado mais acelerado que da população; o envelhecimento dos eleitores, a participação dos jovens, o peso do voto feminino e o impacto das abstenções. Participação feminina cresce ao longo das décadas O protagonismo feminino no eleitorado de Uberlândia não é novidade, mas se fortaleceu ao longo dos anos. Em 1989, a cidade registrava 104.077 mulheres eleitoras, o equivalente a 50,75% dos votantes da época. O crescimento acompanha uma tendência nacional de predominância feminina nas urnas e amplia o peso político desse grupo nas disputas eleitorais. Além de maioria, elas têm maior presença nos níveis mais altos de escolaridade Escolaridade das mulheres eleitoras em Uberlândia As mulheres com título de eleitor em Uberlândia também mordem uma fatia maior entre o eleitorado com Ensino Médio e Ensino Superior. Enquanto 61,14% do eleitorado feminino pelo menos terminou o Ensino Médio, entre os homens essa taxa é de 55,5%. Agora, apenas entre os que pelo menos ingressaram na faculdade, o índice entre o eleitorado feminino é de 29,3%, enquanto 25,4% dos homens iniciaram o Ensino Superior. "Assim como o perfil da população tem ficado mais velho, também tem ficado mais escolarizado e mais feminino, ou seja: o eleitorado está mais concentrado em mulheres entre 50 e 60 anos, com escolaridade elevada e, portanto, mais atentas, mais fiscalizadores e mais politizadas que os homens", afirmou o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Moacir de Freitas Júnior. Mulheres são um eleitorado estratégico Para a socióloga e cientista política Alecilda Oliveira, as mulheres se transformaram em um dos grupos mais estratégicos das eleições brasileiras. Segundo ela, o tamanho desse eleitorado obriga candidatos a discutir temas que afetam diretamente a vida das mulheres. "As mulheres se tornaram um bloco estratégico. É o maior eleitorado absoluto e isso faz com que os candidatos precisem dialogar com pautas que são de interesse das mulheres", afirma. A especialista cita temas como violência doméstica, disparidade salarial, saúde da mulher, creches e políticas de cuidado como assuntos cada vez mais presentes nos debates eleitorais. O que as eleitoras procuram nos candidatos Segundo Alecilda Oliveira, o voto feminino não deve ser analisado apenas pela questão de gênero, mas também pelas condições práticas da vida cotidiana. Questões relacionadas à oferta de creches, escolas em tempo integral, transporte coletivo, acesso à saúde e apoio às famílias podem influenciar diretamente a percepção das eleitoras sobre governos e candidatos. "Facilita a vida das mulheres? Elas conseguem trabalhar melhor? Conseguem ter com quem deixar os filhos? Conseguem melhorar de vida? Essas questões fazem diferença na hora da avaliação política", explicou. A especialista destaca, ainda, que muitas dessas pautas envolvem a chamada "economia do cuidado", já que as mulheres ainda concentram grande parte das responsabilidades relacionadas à criação dos filhos, ao cuidado com idosos e ao acompanhamento de familiares doentes. Maioria nas urnas, minoria nos cargos Apesar de serem maioria entre os eleitores, as mulheres ainda estão longe de ocupar proporcionalmente os espaços de poder. Para Alecilda Oliveira, existe uma sub-representação feminina tanto nos legislativos quanto nos cargos do Executivo. "Existe um déficit de legitimidade democrática nisso. Um desequilíbrio entre quem vota e quem exerce os mandatos." Ela observa que essa realidade pode aumentar a cobrança sobre candidatos e partidos para que apresentem propostas capazes de dialogar efetivamente com as demandas femininas. Voto feminino não é um voto único A análise também mostra que não existe um único comportamento eleitoral entre as mulheres. Segundo Alecilda Oliveira, há eleitoras identificadas com pautas progressistas e outras alinhadas a posições mais conservadoras. Por isso, o simples fato de uma candidatura ser feminina não garante automaticamente apoio das mulheres. "Eleger mulheres não significa necessariamente eleger mulheres que defendam pautas das mulheres. Existem posicionamentos políticos diferentes dentro do próprio eleitorado feminino", afirmou. Movimentos 'rede pill' querem acabar com voto feminino Em 1932, o Código Eleitoral reconheceu o direito das mulheres ao voto. Em 1934, esse direito foi consolidado à Constituição. Mesmo após 94 anos da conquista das mulheres de ter direito ao voto no Brasil, esse avanço democrático ainda é alvo de ataques e tentativas de deslegitimação. Grupos ligados à chamada "manosfera" e a correntes conhecidas como "red pill" passaram a defender, em diferentes países, a restrição ou até o fim do voto feminino, sob o argumento de que as mulheres influenciariam negativamente os resultados eleitorais. Embora essas posições sejam minoritárias e não encontrem respaldo nas democracias modernas, elas ganharam visibilidade nas redes sociais e reacenderam debates sobre participação política e igualdade de direitos. O fenômeno ocorre em um contexto em que as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro e ampliam a influência na definição dos rumos políticos do país. "Essa discussão não é à toa. Se você anula a maioria do eleitorado, você vai conseguir que eles, os homens, continuem sendo os eleitos e que eles não tenham que dar as respostas que a gente quer. Aqui no Brasil, a gente teria que fazer uma mudança constitucional para isso. Teria que fazer uma emenda constitucional. Mas quando o debate surge, isso quer dizer que já tem alguma preocupação nesse sentido", afirmou Alecilda Oliveira. Em junho deste ano, um youtuber disse que “mulheres votam, estatisticamente, muito mal, principalmente as solteiras”. A fala é de Paulo Figueiredo Filho, apoiador da extrema direita e neto do ex-presidente João Figueiredo, último presidente da ditadura militar brasileira. Foi sócio do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na construção do extinto Trump Hotel, no Rio de Janeiro. Já teve o nome na lista da Interpol e, há um ano, passou a ser investigado em inquérito que investiga a atuação contra interesses do Brasil no nos Estados Unidos. "Tem crescido movimentos de violência simbólica e política contra as mulheres, praticadas por movimentos denominados de 'red pill'. Homens, na maioria jovens, que adotam um discurso violento contra as mulheres em questões sociais, de gênero, de sexualidade e também políticas, tirando das cinzas ideias do passado de que a política 'é coisa de homem', 'mulher não sabe votar', que deve 'obedecer ao marido'. São ideias absurdas. Precisamos nos preocupar muito e precisamos combatê-las duramente porque elas têm reverberado socialmente e resultado em mais violência contra as mulheres", explicou Moacir de Freitas Júnior. 🔎A manosfera (ou machosfera) é um conjunto de comunidades virtuais antifeministas que promovem visões tradicionais ou extremistas da masculinidade, culpabilizando as mulheres e o feminismo pelas dificuldades enfrentadas pelos homens. 🔎Red pill é uma subcultura digital masculina que usa a metáfora da pílula vermelha do filme Matrix para alegar que "despertou" de uma suposta ilusão social dominada pelo feminismo. Integrantes do grupo disseminam visões estereotipadas e hostis sobre mulheres, relacionamentos e papéis de gênero. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

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