Debate no g1: candidatos ao Senado em MG discutem emendas PIX, Propag e terras raras; adversários trocam acusações
Marcelo Aro (PP), Arcanjo Pimenta (MDB), Carlin Moura (Avante) e Áurea Carolina (PSOL) participam de debate do g1, com mediação do jornalista Sérgio Marques...
Marcelo Aro (PP), Arcanjo Pimenta (MDB), Carlin Moura (Avante) e Áurea Carolina (PSOL) participam de debate do g1, com mediação do jornalista Sérgio Marques Reprodução/TV Globo Os candidatos ao Senado por Minas Gerais Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante) e Marcelo Aro (PP) discutiram o uso de "emendas PIX", a dívida do estado com a União, a exploração de terras raras, a relação entre os Três Poderes e outros temas durante o debate promovido pelo g1 na manhã desta terça-feira (8). Também houve confrontos diretos entre adversários. À tarde, será a vez de Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB). Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) também foram convidados, seguindo as regras previstas para a realização do encontro, mas não quiseram participar. Os momentos de maior tensão ocorreram durante as discussões sobre o Judiciário, a mineração e o bloco de tema livre. Áurea Carolina e Marcelo Aro trocaram acusações envolvendo o Banco Master, a atuação de ministros do STF, benefícios fiscais e uma denúncia de violência contra a mulher citada pela candidata. Aro rebateu as críticas e acusou a adversária de divulgar informações falsas (leia mais abaixo). O g1 convidou os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional ou que alcançaram ao menos 5% de intenções de voto na última pesquisa Quaest ou Datafolha. Seis temas foram previamente selecionados e comunicados às campanhas antes do debate. A ordem dos assuntos foi sorteada antes do início do encontro, bem como a posição das cadeiras e a sequência das considerações finais. A escolha dos nomes para cada rodada também foi definida em sorteio. Os participantes tiveram 15 minutos de fala para administrar ao longo da discussão, com intervenções de até um minuto e 30 segundos por vez. Ao final, todos tiveram direito a um minuto para as considerações finais. Confira o que falaram os candidatos em cada bloco: Emendas PIX Dívida de Minas Relação entre os Três Poderes Recursos federais para a área da saúde Regulação das terras raras Trabalho e emprego Tema livre Considerações finais Emendas PIX Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre Emendas Pix A discussão sobre as emendas parlamentares na modalidade de transferência especial, conhecidas como "emendas PIX", foi o primeiro tema de debate entre os candidatos ao Senado por Minas Gerais. Os participantes avaliaram o impacto desse mecanismo sobre a transparência do orçamento público e apresentaram propostas e visões divergentes sobre a sua continuidade e fiscalização. Áurea Carolina (PSOL) criticou o modelo das emendas parlamentares, especialmente a emenda PIX, que classificou como uma forma pouco transparente de transferir recursos públicos, por dificultar o rastreamento e a fiscalização da aplicação do dinheiro. Segundo ela, o volume de recursos destinado por parlamentares reduz a capacidade dos governos de executar políticas públicas planejadas e favorece o uso oportunista e eleitoral das verbas para fortalecer bases políticas. Ela citou fraudes investigadas pelo Tribunal de Contas da União e defendeu o fim desse modelo, com mais transparência e participação popular na definição da destinação dos recursos. Como exemplo, mencionou sua atuação como deputada federal, quando realizou consultas abertas à população para decidir sobre emendas. O candidato Carlin Moura (Avante) apontou aspectos positivos nas emendas PIX, defendendo que a indicação de verbas por parlamentares eleitos ajuda a democratizar a distribuição do orçamento para os municípios e traz mais agilidade ao processo. Ele destacou que a modalidade não apresenta problemas se houver controle social e o pleno funcionamento das instituições, mencionando que o Supremo Tribunal Federal (STF) já estabeleceu regras para garantir a transparência e a prestação de contas desses recursos. Propôs direcionar emendas para a saúde e infraestrutura sob fiscalização popular. Já Arcanjo Pimenta (MDB) considerou a emenda PIX um instrumento importante devido à sua rapidez em atender as demandas da população. Contudo, argumentou que o modelo necessita de correções por carecer de transparência e de planos de projeto estruturados ao chegar às prefeituras. Para o candidato, o ciclo desse repasse de verba só deve ser considerado concluído quando o resultado concreto beneficia diretamente o cidadão. Marcelo Aro (PP) declarou-se totalmente favorável às emendas PIX, comparando sua agilidade à facilidade do PIX bancário. Ele relatou ter enviado R$ 2 bilhões em emendas para todos os 853 municípios de Minas Gerais para custear creches, postos de saúde, asfalto e transporte escolar. Argumentou que a modalidade é positiva para resolver problemas reais da população e que eventuais irregularidades devem ser punidas com rigor pela Justiça e pelo Tribunal de Contas da União, sem inviabilizar o formato legal do repasse. Dívida de Minas Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre a dívida de Minas A renegociação da dívida de Minas Gerais com a União foi o segundo tema de discussão entre os candidatos ao Senado. Os participantes defenderam a redução do impacto da dívida sobre as contas do estado, mas apresentaram propostas diferentes para ampliar a capacidade de investimento e equilibrar as finanças públicas. O candidato Carlin Moura (Avante) afirmou que a adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) já trouxe redução do saldo devedor e pode abrir espaço para mais investimentos em áreas como saúde, educação, habitação e segurança pública. Ele defendeu o avanço das negociações com a União, incluindo a discussão sobre compensações relacionadas à Lei Kandir e aos impactos da reforma tributária sobre a arrecadação mineira. Arcanjo Pimenta (MDB) avaliou que a renegociação adotada pelo governo estadual foi positiva por reduzir os encargos da dívida. O candidato destacou a importância de acompanhar a execução do acordo e defendeu atuação no Senado para buscar novas alternativas que contribuam para diminuir o passivo estadual. Também manifestou preocupação com possíveis efeitos da reforma tributária sobre as receitas dos municípios mineiros. Já Marcelo Aro (PP) afirmou que Minas recebe de volta apenas parte dos recursos arrecadados pelo governo federal e defendeu mudanças na relação financeira entre o estado e a União. Como proposta, disse que pretende atuar para aperfeiçoar o Propag e sugeriu que os valores pagos mensalmente pela dívida sejam revertidos em investimentos dentro de Minas Gerais, especialmente em infraestrutura, saúde e segurança pública. Áurea Carolina (PSOL) relacionou o endividamento do estado à política de incentivos fiscais adotada pelo governo de Minas e criticou a concessão de benefícios tributários a setores empresariais. A candidata defendeu o fortalecimento da arrecadação estadual e afirmou que uma gestão fiscal mais eficiente permitiria ampliar investimentos em saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana e outras políticas públicas. Durante o debate, também houve troca de críticas entre Áurea Carolina e Marcelo Aro sobre a concessão de benefícios fiscais. Áurea atribuiu parte dos problemas fiscais do estado a essas políticas, enquanto Aro argumentou que incentivos tributários podem ser instrumentos legítimos para estimular a atividade econômica, a geração de empregos e a renda. Relação entre os Três Poderes Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre relação entre poderes A discussão sobre o relacionamento entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário foi o terceiro tema sorteado no debate entre os candidatos ao Senado por Minas Gerais. Diante do cenário de crises institucionais, os candidatos debateram sobre a harmonia entre as esferas de governo, o papel fiscalizador do Senado e propostas de reformas no Poder Judiciário. Áurea Carolina (PSOL) iniciou o debate manifestando preocupação com denúncias de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o esquema financeiro do Banco Master. Ela afirmou que, como senadora, não se recusaria a atuar em processos de impeachment de ministros do STF caso persistam dúvidas, suspeitas de corrupção ou conflitos de interesse, citando nominalmente os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. No entanto, ressaltou que o STF desempenha um papel de estabilização da democracia e deve trabalhar seriamente, rejeitando a conduta de grupos golpistas. Marcelo Aro (PP) declarou-se totalmente favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, sustentando que o Poder Judiciário ultrapassou os seus limites constitucionais. O candidato direcionou críticas específicas à conduta de Alexandre de Moraes, apontando um contrato de R$ 130 milhões associado à esposa do ministro e a um investigado como uma situação inaceitável. Carlin Moura (Avante) avaliou que a polarização política recente contaminou todas as esferas institucionais da República. Para restabelecer o equilíbrio, ele propôs reformas profundas como a instituição de mandatos por tempo determinado para ministros do STF e o debate em torno da transição para o semipresidencialismo. Ele também argumentou que autoridades públicas acusadas de envolvimento em escândalos de dinheiro do Daniel Vorcaro deveriam se afastar imediatamente para se defender. Arcanjo Pimenta (MDB) manifestou-se contra a formulação de acusações sem apresentação de provas. Contudo, ponderou que as denúncias sejam apuradas e que, caso existam justificativas constitucionais, os processos de impeachment sejam levados adiante após o direito de defesa dos envolvidos. Ele também propôs que as decisões mais complexas do STF sejam tomadas de forma estritamente colegiada, evitando que um único indivíduo decida por toda a nação. Ao final, o debate sobre o tema foi marcado por uma troca direta de acusações entre Áurea Carolina e Marcelo Aro a respeito de escândalos financeiros. Áurea declarou que a família Bolsonaro está ligada a fraudes no Banco Master e afirmou que Aro possui negócios com essa instituição e com a estatal Cemig, por meio de ligações com a empresa de Daniel Vorcaro. Em resposta, Marcelo Aro rejeitou as acusações, negou qualquer relação comercial com a Cemig ou com a Vorcaro e ressaltou que possui 14 anos de trajetória pública sem responder a processos ou investigações da Polícia Federal. Recursos federais para a saúde Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre recursos para a saúde O financiamento da saúde pública e a destinação de recursos federais para o setor estiveram entre os temas debatidos pelos candidatos ao Senado. As propostas passaram pela ampliação da rede hospitalar, fortalecimento da atenção básica, aumento de repasses aos municípios e discussão sobre a forma de aplicação dos recursos públicos. Arcanjo Pimenta (MDB) defendeu a regionalização da saúde como forma de aproximar os serviços da população do interior. O candidato afirmou que muitos moradores de cidades pequenas precisam percorrer longas distâncias para conseguir atendimento especializado e propôs a ampliação de hospitais regionais, além da humanização do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em outro momento, também defendeu que os recursos e emendas parlamentares acompanhem a demanda dos pacientes. Áurea Carolina (PSOL) afirmou que a população mineira enfrenta dificuldades para acessar serviços de saúde próximos de casa e defendeu o fortalecimento do SUS em diferentes níveis de atendimento. A candidata citou a ampliação de hospitais regionais e universitários, o fortalecimento da atenção básica e das equipes de saúde da família, além de políticas voltadas à saúde mental. Ela também criticou o orçamento secreto e as chamadas emendas PIX, argumentando que os investimentos na área devem seguir planejamento de longo prazo. Carlin Moura (Avante) destacou a experiência como prefeito e afirmou que os municípios acabam assumindo parcela significativa dos investimentos em saúde. O candidato defendeu o aumento dos repasses federais às prefeituras, argumentando que é no nível municipal que a população busca atendimento. Também apoiou a expansão dos hospitais regionais e defendeu o uso de novas tecnologias, como o teleatendimento, para modernizar o SUS e ampliar o acesso aos serviços. Marcelo Aro (PP) disse que a saúde deve ser uma das prioridades dos representantes de Minas no Congresso Nacional e afirmou que sua atuação no Senado será voltada à defesa dos interesses do estado. Durante o debate, o candidato criticou o governo federal ao afirmar que as transferências voluntárias para a saúde cresceram no país, mas registraram queda em Minas Gerais. Segundo ele, é necessário ampliar a atenção às demandas mineiras e reforçar os investimentos destinados ao estado. Ao longo do bloco, houve divergência política entre Marcelo Aro e Áurea Carolina sobre a atuação do governo federal na área da saúde. Enquanto a candidata do PSOL defendeu maior planejamento dos investimentos públicos e criticou o modelo de distribuição de emendas parlamentares, o candidato do PP questionou os resultados dos repasses federais para Minas Gerais. Regulação das terras raras Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre regulação das terras raras A exploração de terras raras e a atividade mineral em Minas Gerais também estiveram entre os temas debatidos pelos candidatos ao Senado. Os participantes discutiram a necessidade de ampliar os benefícios econômicos da mineração para o estado, fortalecer a fiscalização do setor e definir regras para a exploração de minerais considerados estratégicos para a transição energética. Áurea Carolina (PSOL) defendeu o fortalecimento da fiscalização da atividade minerária e a adoção de um marco regulatório que garanta proteção ambiental, respeito aos direitos humanos e retorno econômico para as populações afetadas. A candidata citou sua atuação na CPI de Brumadinho e afirmou que o Brasil tem uma oportunidade estratégica com a exploração das terras raras, desde que a atividade seja conduzida de forma sustentável e com desenvolvimento tecnológico nacional. Ela também criticou o que classificou como influência excessiva do setor mineral sobre órgãos públicos e parlamentares. Carlin Moura (Avante) argumentou que Minas Gerais recebe uma compensação insuficiente pela exploração mineral e defendeu a ampliação da arrecadação proveniente da atividade. O candidato afirmou que é necessário reforçar a estrutura de fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM) e cobrar valores que, segundo ele, ainda são devidos pelas mineradoras aos municípios. Sobre as terras raras, disse que o estado deve aproveitar o potencial econômico desses minerais para estimular a industrialização, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico. Arcanjo Pimenta (MDB) afirmou que Minas Gerais não deve se limitar à exportação de matérias-primas. O candidato defendeu a agregação de valor aos minerais extraídos no estado por meio da industrialização, com investimentos em tecnologia, capacitação profissional e instalação de indústrias capazes de transformar os recursos minerais em produtos de maior valor econômico. Segundo ele, essa estratégia pode ampliar a arrecadação e gerar mais recursos para áreas como saúde, educação e assistência social. Marcelo Aro (PP) rebateu as críticas de Áurea Carolina ao setor mineral e à fiscalização da atividade, citando a atuação do governo federal na nomeação de dirigentes da Agência Nacional de Mineração. O candidato também destacou sua participação na aprovação de mudanças na Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), argumentando que a medida aumentou os recursos destinados aos municípios mineradores. Ele defendeu a continuidade do aperfeiçoamento das regras do setor e afirmou que pretende atuar para ampliar as oportunidades geradas pela exploração das terras raras. Ao longo do bloco, houve divergência principalmente entre Áurea Carolina e Marcelo Aro sobre a fiscalização da mineração, o papel do governo federal e a influência das mineradoras nas decisões políticas. Apesar das diferenças, os candidatos convergiram na defesa de que Minas Gerais deve ampliar os ganhos econômicos obtidos com a exploração mineral e aproveitar o potencial das terras raras para impulsionar o desenvolvimento do estado. Trabalho e emprego Debate MG Manhã: Candidatos ao Senado respondem sobre trabalho e emprego A discussão sobre trabalho e emprego foi o último tema sorteado no debate entre os candidatos ao Senado por Minas Gerais. Os candidatos debateram a redução da jornada de trabalho, a qualificação profissional diante das novas tecnologias e o incentivo ao empreendedorismo, demonstrando diferentes propostas para o fortalecimento da renda no estado. O candidato Arcanjo Pimenta (MDB) iniciou destacando sua experiência de 30 anos como empreendedor e defendeu que atuará para estimular a produtividade por meio de atração de indústrias e investimentos em infraestrutura de logística e estradas de ferro. Ele propôs a criação de uma plataforma tecnológica brasileira voltada para motoristas de aplicativos e entregadores, argumentando que a medida evitará que a taxa de 20% cobrada hoje por corporações estrangeiras saia do país. Sobre a jornada de trabalho, relatou que já adota a escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso há 20 anos em suas empresas, enfatizando que os colaboradores precisam de tempo garantido para suas famílias. Áurea Carolina (PSOL) declarou que atuará ao lado do governo federal no Senado e criticou a oposição parlamentar no Congresso que, em sua análise, atua para barrar conquistas trabalhistas e avanços na remuneração do trabalhador. A candidata defendeu integralmente a extinção da escala de trabalho 6x1, argumentando que a jornada excessiva compromete a saúde, o bem-estar e a dignidade das famílias. Mencionou sua experiência pessoal como mãe solo trabalhadora para ressaltar as dificuldades enfrentadas no cotidiano para conciliar a sobrecarga de tarefas com as obrigações profissionais. Marcelo Aro (PP) posicionou-se de forma favorável à redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, assegurando que apoiará a medida caso seja eleito para o Senado. O candidato defendeu que a geração de emprego e renda decorre do desenvolvimento econômico e de melhorias na infraestrutura e rodovias estaduais, argumentando que usará sua habilidade política para reverter os recursos públicos de Brasília de volta a Minas Gerais. Aro também assumiu o compromisso de atuar pelas mães de pacientes com doenças raras, que na maioria das vezes cuidam dos filhos sem a presença paterna, propondo melhorias no Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago a elas. Carlin Moura (Avante) apontou que a geração de empregos requer a preparação dos jovens e dos trabalhadores para a atual revolução tecnológica e de inteligência artificial. Defendeu a necessidade de levar recursos tecnológicos e educacionais ao campo para preparar a juventude no meio rural, associando a proposta a dados que apontam que a produção global de alimentos deverá dobrar nos próximos dez anos. O candidato também propôs a expansão do programa Trilhas de Futuro e sugeriu a criação de linhas de financiamento com juros subsidiados pelo BNDES para impulsionar micro e pequenas empresas nacionais, diminuindo a dependência de produtos importados. Tema livre No bloco de tema livre, os candidatos escolheram assuntos que consideram prioritários para uma eventual atuação no Senado. Os discursos abordaram direitos das mulheres, segurança pública, representatividade racial e educação, com troca de críticas entre alguns participantes. Áurea Carolina (PSOL) dedicou parte de suas intervenções à defesa dos direitos das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero. A candidata defendeu a ampliação da rede de acolhimento às vítimas, o fortalecimento de delegacias especializadas e políticas de prevenção nas escolas. Também argumentou que é necessária maior representação feminina nos espaços de poder e destacou a candidatura de mulheres ao Senado como forma de ampliar essa participação. Arcanjo Pimenta (MDB) utilizou o bloco para destacar a defesa da população negra e a importância da representatividade racial na política. O candidato afirmou que pretende atuar no Senado em defesa das pautas do movimento negro. Em outro momento, voltou a enfatizar a educação como principal bandeira de sua candidatura, defendendo valorização dos professores, ampliação da escola em tempo integral e expansão da oferta de creches. Marcelo Aro (PP) concentrou sua fala em propostas relacionadas à segurança pública. O candidato defendeu o endurecimento da legislação penal e afirmou que pretende apresentar projetos voltados ao combate à violência sexual e à criminalidade. Também defendeu mudanças na legislação penal juvenil como forma de ampliar a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves. O bloco foi marcado por um confronto entre Áurea Carolina e Marcelo Aro. A candidata do PSOL citou uma denúncia registrada contra o adversário e questionou sua autoridade para abordar temas relacionados à violência contra a mulher. Em resposta, Marcelo Aro negou as acusações, afirmou que não responde a processos relacionados ao tema e acusou a adversária de divulgar informações falsas durante o debate. Ao final do bloco, Arcanjo Pimenta voltou a defender investimentos em educação como estratégia para reduzir a criminalidade e ampliar oportunidades para a população, reiterando que pretende priorizar o tema em uma eventual atuação no Senado. Considerações finais Ao término do bloco de tema livre, os candidatos fizeram as considerações finais. A ordem foi definida previamente em sorteio. Veja, na íntegra, o que cada participante disse: Marcelo Aro (PP) "Importante falar, Áurea: boletim de ocorrência não é condenação. Não sei se você sabe, mas, se eu sair daqui agora e for ali na delegacia fazer um boletim de ocorrência de que você me deu tapas, eles vão anotar. Isso não quer dizer que você me deu cinco tapas, tá bom? Boletim de ocorrência é o que você fala na delegacia, depois tem investigação. E a investigação mostrou que não teve absolutamente nada, e a pessoa que foi lá denunciar depois se retratou. Então, seja honesta, Áurea. Não seja mentirosa. Não faça política assim. Eu sou pai de seis crianças. Sou casado com a Tininha, de quem tenho muito orgulho. Eu defendo a família. Eu sei que falar desse tema para você até arrepia, mas eu sou um defensor da família. Sou casado com a Tininha há 15 anos. A minha esposa, para mim, é um sinal de salvação na minha vida. Uma pessoa do bem, correta. Junto com ela, eu tenho seis filhos, a minha primeira filha com uma doença rara. Lamentável meus filhos estarem assistindo e vendo essas suas falas aqui". Marcelo Aro (PP), candidato ao Senado de MG, faz suas considerações finais Arcanjo Pimenta (MDB) "Olha, gente, estou muito satisfeito de estar aqui neste momento e apresentando para vocês quem sou, o que já fiz e o que eu irei fazer. Sou Arcanjo Pimenta, negro, empresário. Só eu sei o que eu passei pela minha tonalidade de pele, pela minha cor preta. Então, eu quero, primeiramente, que nós combatamos o racismo. Não adianta você, igual no meu caso, ter um poder econômico, mas não deixei de ser negro. E o branco racista sabe disso. Na hora em que ele me vê, nunca acredita que eu possa ser um empresário bem-sucedido. Ele quer me ver no tronco. Ele quer me ver com o chicote. Só que eu quero ser a referência para vocês aí da periferia, dos morros. Esses meninos que hoje estão na criminalidade, eu quero ser a referência". Arcanjo Pimenta (MDB), candidato ao Senado de MG, faz suas considerações finais Carlin Moura (Avante) "Eu sou um exemplo de superação. Nasci lá em Virgolândia, no Vale do Rio Doce, essa região maravilhosa, sem o braço esquerdo. Aprendi na vida que a deficiência não está na pessoa com deficiência. A deficiência está nas barreiras que a sociedade impõe. Eu tive a honra de ser vereador, de ser deputado, de ser prefeito, e adquiri uma experiência de vida que vai representar os mineiros no Senado Federal. Junto com o nosso presidente Augusto Cury, nós queremos pacificar o Brasil. Certos debates não interessam ao povo. O que interessa ao povo é coisa concreta e objetiva. Então, eu peço o seu voto para senador Carlin Moura. Meu número é 700. Quem quiser me conhecer melhor é só acessar nossas redes sociais: @eucarlinmoura. E agradecer à Rede Globo, ao g1 e aos colegas. É isso, gente. A gente tem que ter paz para trabalhar pelo futuro do Brasil. Carlin Moura, senador 700". Carlin Moura (Avante), candidato ao Senado de MG, faz suas considerações finais Áurea Carolina (PSOL) "Estou muito honrada com a oportunidade de levar tantas lutas para o Senado Federal, representando a maioria do povo de Minas Gerais: a mulherada, quem trabalha, quem rala todos os dias, a juventude, a juventude negra, sobretudo. Nós somos maioria e precisamos de um Senado com a nossa cara. Eu acredito que vamos fazer história mais uma vez. Eu já fui a vereadora mais votada de Belo Horizonte, a deputada federal mais votada de Minas Gerais, e tudo isso sem ser herdeira nem ser apadrinhada por nenhum político, fazendo muita luta, com muita raça, com pouca estrutura, mas acreditando no nosso poder. Por isso, eu peço o seu voto. Áurea Carolina, senadora do time do Lula, para Minas Gerais avançar. Bora, que é possível. Bora vencer. Número 500". Áurea Carolina (PSOL), candidata ao Senado de MG, faz suas considerações finais