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Armas desviadas de delegacia de BH voltaram a ser usadas em crimes, aponta relatório da Corregedoria da Polícia

Vanessa de Lima Figueiredo, servidora suspeita de desviar armas passou por audiência de custódia nesta terça-feira (11). Reprodução Um relatório da Correg...

Armas desviadas de delegacia de BH voltaram a ser usadas em crimes, aponta relatório da Corregedoria da Polícia
Armas desviadas de delegacia de BH voltaram a ser usadas em crimes, aponta relatório da Corregedoria da Polícia (Foto: Reprodução)

Vanessa de Lima Figueiredo, servidora suspeita de desviar armas passou por audiência de custódia nesta terça-feira (11). Reprodução Um relatório da Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) a que o g1 teve acesso aponta que armas de fogo desviadas da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, voltaram a circular e foram apreendidas em diferentes ocorrências criminosas na capital mineira, na Região Metropolitana, no interior do estado e até fora de Minas Gerais. O documento faz parte do processo criminal contra a servidora afastada da PCMG Vanessa de Lima Figueiredo, investigada por desviar mais de 200 armas apreendidas (relembre o caso mais abaixo). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O relatório aponta o reaparecimento de armamentos que deveriam estar sob custódia da polícia e reforça as suspeitas de um esquema de desvio dentro da própria unidade. Parte do armamento foi vendido a organizações criminosas, como o Terceiro Comando Puro (TCP) e outros grupos que atuam na Grande BH. A apuração da Corregedoria foi feita a partir do cruzamento de dados entre registros antigos de apreensão e sistemas policiais, como REDS e INFOSEG, utilizando principalmente os números de série das armas. A análise identificou que diversos armamentos reapareceram anos depois de terem sido apreendidos. O relatório da Corregedoria ainda destaca falhas no controle e na rastreabilidade das armas, como registros inconsistentes e casos de numeração raspada ou incompleta, o que dificulta a identificação precisa dos armamentos. Procurado pelo g1, o advogado da servidora Vanessa de Lima Figueiredo, Marcelo José da silva Machado, afirmou que o relatório foi elaborado com a participação de servidores da própria delegacia. Para ele, essas pessoas "não poderiam participar diretamente da investigações". Casos que mais chamaram a atenção Um dos casos citados no documento da Corregedoria é o de uma pistola 9mm apreendida inicialmente em 2020, em Esmeraldas. A arma voltou a ser localizada em pelo menos quatro ocorrências entre 2023 e 2024, em diferentes bairros de Belo Horizonte. Para a Corregedoria, o histórico indica “quebra de custódia estatal”, já que o armamento circulou entre criminosos após ter sido recolhido pela polícia. As investigações sobre o desvio começaram justamente após uma dessas reaparições: uma arma que já havia sido apreendida foi encontrada novamente com um suspeito. A partir daí, foi identificado o desaparecimento de cerca de 220 armas que estavam sob guarda da delegacia. De acordo com o inquérito, algumas dessas armas já foram recuperadas em ocorrências relacionadas a crimes como tráfico de drogas, porte ilegal e lesão corporal. O documento também aponta prejuízo superior a R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. Locais onde armas foram reencontradas O relatório mostra que várias armas reapareceram em cidades da Região Metropolitana, como Belo Horizonte, Betim, Contagem e Santa Luzia, em Manhuaçu, na Zona da Mata, e também em outros estados, como Sâo Paulo. Padrão de vida de servidora incompatível com renda O g1 também teve acesso a parte de depoimento de colegas de trabalho de Vanessa de Lima Figueiredo. No documento, um colega diz que, a partir de 2023, Vanessa passou a ter um padrão de vida incompatível com a renda. Ela fez viagens internacionais, adquiriu carro e apartamento, e passou por uma cirurgia plástica de alto custo, sem explicar a origem dos recursos. A testemunha também descreveu comportamentos considerados suspeitos no ambiente de trabalho, como momentos em que a investigada permanecia sozinha na unidade e comentários de que entrava sem objetos e saía com bolsas. Durante a apuração, a polícia identificou extravio de materiais e encontrou, em um armário trancado dentro da sala de apreensões, invólucros violados e escondidos, o que reforçou a suspeita de manipulação e desvio de itens sob custódia. Relembre o caso Servidora da Polícia Civil é denunciadapor desviar 200 armas de delegacia A investigação começou após a apreensão de uma arma que já deveria estar sob custódia da Polícia Civil. A partir daí, foi identificado o desaparecimento de cerca de 220 armamentos da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte. A principal investigada é a servidora Vanessa de Lima Figueiredo, de 44 anos, presa em 2025. Segundo a apuração, parte das armas foi vendida a facções criminosas, e algumas já foram recuperadas em ocorrências ligadas a crimes como tráfico e porte ilegal. Ela foi afastada do cargo, usa tornozeleira eletrônica e está proibida de deixar o país. A defesa nega irregularidades e afirma que não há provas concretas contra a servidora. O Ministério Público de Minas Gerais denunciou a analista da Polícia Civil Vanessa de Lima Figueiredo por peculato, acusando-a de desviar armas, dinheiro e outros objetos da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte. A denúncia foi aceita pela Justiça em 17 de dezembro, tornando-a ré em processo criminal, com pena que pode chegar a 12 anos de prisão. Vídeos mais vistos do g1 Minas:

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